O mau presságio de Marcos

Confesso que senti pena em ver o que está acontecendo com o Palmeiras.

Pena em ver um dos maiores clubes do Brasil, que liderou a maior parte de um torneio que não conquista há 15 anos, praticamente se esfarelar na reta final.

A equipe fazia boa campanha, as expectativas eram boas. Seu recém eleito presidente foi na contramão da maioria dos outros cartolas e tomou medidas inéditas para os dias de hoje. Contratou o técnico mais vencedor da história dos pontos corridos, segurou seus melhores jogadores frente o forte assédio europeu e ainda trouxe uma estrela do ataque de volta da Rússia. Tudo isso com o time ocupando o topo tabela. O título haveria de vir, não poderia dar errado.

Mas acabou que deu. Vágner Love, mesmo com um ou outro golzinho importante, nunca rendeu o que se esperava. Se seu objetivo ao voltar ao Brasil era o de retornar à seleção, é melhor esperar sentado, pra não cansar. Jogos chaves e outros fáceis como os fora de casa contra o Fluminense, Náutico, Santo André, e os no Parque Antártica contra Flamengo, Avaí e Sport foram perdidos ou não ganhos – resultados impensáveis pra quem almeja ser campeão. Lesões se espalharam no elenco feito praga de reza brava, tirando de uma parte importante do campeonato doisjogadores fundamentais, Cleyton Xavier e Pierre.

E teve ainda o Simon, o pior árbitro do Brasil.

Pra completar, Obina e Maurício protagonizaram na última quarta o desfecho perfeito para o enredo de tragédia grega que está sendo o fim de ano palmeirense. Um golpe de direita seguido por um cruzado de esquerda. O duelo de round único entre os dois terminou com um par de cartões vermelhos, uma equipe com 9 jogadores, mais uma derrota fora de casa, e, o mais significativo, terminou com as chances alviverdes no campeonato brasileiro.

Sobrou pro goleiro Marcos, pentacampeão mundial com a seleção, o papel de relações públicas palestrino em momento de crise. Finda a partida no Olímpico, o número 1 ficou por mais cerca de 15 minutos no campo falando – e desabafando – aos repórteres ávidos por declarações com potenciais de manchetes.

Mas Marcos, como já é de costume, mandou bem. Num ramo em que o entrevistado normalmente é uma máquina de reproduzir clichês, suas respostas expressaram a sobriedade requerida de momentos críticos, sem, contudo, serem evasivas.

Foi uma das entrevistas mais sinceras e tocantes que já vi de um jogador de futebol.

Marcos, obviamente, lamentou as expulsões decorrente da briga entre seus companheiros, que selou a derrocada palmeirense naquela noite. Mas isentou aquele episódio como o responsável pela perda do campeonato – apesar de ter sido sua pá de cal -, acusando a vertiginosa queda de desempenho do time nos últimos jogos como a causa principal.

O que mais me tocou, entretanto, em meio àquele discurso resignado, foi o de constatar o quanto aquele goleiro extremamente boa praça estava triste por saber que não será mais campeão brasileiro, mesmo tendo chegado tão, tão perto. Quando o São Paulo perdeu pro Atlético Mineiro em casa, 5 rodadas atrás, até um grande otimista como eu já dava como certo o título palmeirense no início de dezembro. Bastava o Palmeiras não fazer nenhuma grande cagada.

A sorte mudou, o São Paulo hoje é líder, e Marcos, já no crepúsculo de sua carreira profissional, com 36 anos de idade, sabe que 2009 foi provavelmente uma de suas últimas chances, se não a última, de ganhar o título nacional.  E ouvi-lo dizer isso, exatamente isso, em um tom de tristeza só não mais profundo que o das entrevistas de Cuca, me fez transgredir as barreiras da rivalidade futebolística, que faz com que desejemos o mau agouro para o rival até num torneio dente-de-leite. Aquelas palavras todas me fizeram lamentar profundamente por tudo o que Palmeiras está passando.

Talvez seja essa dualidade da glória dos vencedores e da tragédia dos perdedores que torna os esportes de competição uma coisa tão fascinante, como é o caso do futebol. O grande problema, entretanto, quais outras facetas dessa nossa vida mundana, é quando a grande roda viva futebolística escolhe por punir gente que não merece, como esse personagem tão querido e estimado que é o goleiro do Palmeiras.

Mas, fazer o quê, o futebol é assim mesmo.

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Uma resposta to “O mau presságio de Marcos”

  1. Pingu Says:

    eu concordaria integralmente contigo, não fosse o fato dele ter nos eliminado aos corintianos em DUAS LIBERTADORES! rs

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