A minha Crise dos 20

Crise dos 20

Uma vez li em algum orkut alheio uma menção a uma suposta crise dos 20. Não explicava do que se tratava, nem detalhava seus sintomas e causas, apenas dizia algo como “a crise dos 20 chegou com um certo atraso em minha vida”. Fora a primeira e única vez que me deparava com a expressão.

Acabei gravando aquelas palavras na minha cabeça. Vira e mexe, me pego pensando nelas, talvez por querer encontrar uma lista de características que pudesse se constituir num diagnóstico de uma Crise dos 20 anos. Não sei se a conclusão a qual cheguei é fidedigna com a realidade, mas vale como um esboço de teoria, baseado em minha própria experiência mundana.

Acho que o que inaugura e dá corpo à tal Crise dos 20, se é que ela realmente existe, é o nosso primeiro encontro com a sensação de estar ficando velho. Sensação de que nossa vida já reúne um número sintomático de experiências, de que nossas lembranças já têm uma amplitude considerável, a ponto de lembrarmos com grande precisão fatos de mais de dezena de anos atrás. É ver pessoas e entes queridos morrerem com mais constância. É começar a nos habituar com a transitoriedade.

Na infância e adolescência, estamos distraídos em demasia com coisas mais importantes para pensarmos no tempo que passa ao lado. Conforme os hormônios vão se estabilizando, entretanto, vamos ficando mais serenos. Mais suscetíveis a reflexões, menos imunes a certas angústias. É aí que começamos a tomar consciência de que nossa existência é irremediavelmente perecível.

Até certo tempo atrás, eu tinha uma dificuldade tremenda em lidar com ícones do meu passado. Passar em frente à escola do meu primário, por exemplo, me impregnava de nostalgia. Debater com minha mãe a possibilidade de vender a casa onde vivi quando criança, mesmo não morando mais nela há anos, me deixava contrariado. Acho que vivi ali o ápice da minha crise dos 20.

Hoje, se não estiver enganando a mim mesmo, já superei estes dois complexos. Mas novas inquietações não faltam. Quem diria que chegaria a fase de dizer “na época da minha faculdade…”. Isso, até outro dia, era assunto só do meu pai, poxa vida. E por aí vai.

Como já disse anteriormente, acabamos por nos acostumar com tanta transitoriedade na vida. É quando entramos na fase descendente da parábola da crise dos 20. Não sei se é nesta que estou, apesar de já achar que o ápice já foi, mas só desejo que daqui a 7 anos, eu não encontre uma crise dos 30.

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2 Respostas to “A minha Crise dos 20”

  1. Alberto Says:

    Logo, logo você estará votando no PSDB.

  2. Miiram Says:

    não tem jeito… há de viver muitas outras crises como essa.

    imagine quando chegar na idade daqueles que olham ao redor e todos são mais novos em idade…

    aproveite cada momento

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